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19.02.2020
Brasil

Uva brasileira sem semente desbanca produto importado

Se antes era uma moda gourmet, agora é possível encontrar a uva sem semente nacional cada vez mais presente na mesa do brasileiro. Desde o início de 2018, a uva sem semente do nordeste domina as vendas do primeiro semestre, posição antes dominada por produtos importados do Chile, de acordo com os dados da Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo).

O movimento ganhou ainda mais força em 2019, graças a produção do Vale do São Francisco que tem bancado a demanda interna. Apesar do Brasil ainda comprar o produto de países como Chile, Argentina e Peru, o volume da importação diminuiu. Se em 2011 a importação da uva girava em torno de 34 mil toneladas, em 2019 o número caiu mais da metade. Até setembro, foram importadas apenas 13,2 mil toneladas da fruta. Em relação aos números de importação, vale destacar que eles não fazem distinção de uva com ou sem caroço, embora analistas confirmem que, em ambos os casos, os números apontam o declínio.

Em 2007, a uva sem semente nacional era 7% da comercialização da Ceagesp. Passou para 32% em 2018. Desde os anos 1990, a Embrapa trabalha para desenvolver uvas com características similares às que invadiram as gôndolas da Europa e dos Estados Unidos. 

Apesar de bancar o mercado interno, a uva de mesa nacional, seja com ou sem semente, ainda tem amplo mercado a ser explorado. O acordo entre União Europeia e Mercosul elevou a expectativa dos produtores de São Francisco, que pretendem dobrar as vendas à Europa.