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Publicado em 09/01/2015, às 15:38
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Quatro capitais terão protestos contra tarifa de transporte nesta sexta-feira

Após protestos com algumas centenas de pessoas em cidades como Joinville (SC) e Salvador nesta semana, movimentos contrários ao aumento das passagens de transporte público realizam nesta sexta-feira (9) manifestações em outras quatro capitais para dar mais visibilidade à revindicação.

'Em 2013 foi assim. Antes dos grandes atos no centro de São Paulo houve vários pequenos', justifica Andreza Delgado, do Movimento Passe Livre São Paulo (MPL-SP).

Foram convocados protestos em Belo Horizonte (Praça Sete, 17h), Recife (Grande Recife,-São José 7h30) e Rio de Janeiro (Cinelândia, 17h) e São Paulo (Theatro Municipal, 17h) - onde a Polícia Militar espera a presença de 5 mil pessoas.

A coincidência tem por objetivo dar um caráter nacional à pauta – 'por isso escolhemos sexta-feira', diz Letícia Delgado, do Tarifa Zero BH. Os grupos discutem a realização de um novo ato na semana que vem.

O objetivo é forçar o Poder Público a revogar os reajustes nas tarifas de ônibus (e Metrô, em São Paulo) aplicados nas últimas semanas ou, no caso pernambucano, impedir o aumento.

Em São Paulo, no Rio e em Belo Horizonte, as passagens de ônibus subiram respectivamente, 16,7%, 13,3% e 8,8% (no ônibus mais comum), mais do que os aumentos que acabaram revogados após as manifestações de junho de 2013 (6,7%, 7,3% e 5,7%).

No Recife, a Frente de Luta Pelo Transporte Público em Pernambuco visa a impedir uma reunião do Conselho Superior do Transporte Metropolitano (CSTP), que definirá o aumento nesta sexta-feira (9). O Ministério Público local também pediu o adiamento do encontro, mas segundo um representante dos manifestantes, ele está mantido.

'A gente vai estar lá para não deixar que a reunião aconteça', diz Túlio de Luna, da Frente de Luta Pelo Transporte Público em Pernambuco. 'Se o aumento se concretizar, na próxma semana vai ocorrer novo protesto', afirma.

Segundo levantamento do iG, grupos ligados ou não ao MPL convocaram protestos em 14 cidades contra o aumento de tarifas. Florianópolis, no dia 13, é uma delas.

Polícia paulista é criticada por ONGs de direitos humanos
A Polícia Militar de São Paulo vai usar o 'acompanhamento aproximado' durante a manifestação. Segundo o Major Larry de Almeida Saraiva, serão criados cordões de policiais para isolar os manifestantes durante o protesto. 'Estaremos em duas colunas nas laterais do grupo que vai se deslocar nas vias', afirma.

A estratégia, usada em 2013 e 2014, preocupa as organizações de direitos humanos. A Anistia Internacional afirma que, em fevereiro de 2014, documentou a ação de policiais que cercaram os manifestantes e os detiveram arbitrariamente.

'Temos registros em vídeo que mostram que a manifestação estava pacifica quando a polícia decidiu arbitrariamente por encerrá-la, e ficou horas cercando o pessoal no local. Nos preocupamos porque a Polícia Militar de São Paulo tem um histórico de violar o direito à manifestação com o uso abusivo da força', afirma Renata Neder, assessora de direitos humanos da AI.

A Artigo 19 também critica. 'Já vimos o uso dessa tática antes com um número desproporcional da presença da policia. Isso gera um efeito intimidatório e pode aumentar o conflito. Além disso, se tem tumulto, não tem rota de escoamento. Os manifestantes são reféns da PM', explica Camila Marques, advogada da organização.

Na última quarta-feira (7), a Polícia Militar afirmou que a ação visa garantir a segurança das pessoas que não estão participando do ato. Revistas acontecerão nos entornos do local da manifestação apenas para quem tiver algum tipo de comportamento suspeito.

O uso de armas menos letais, como balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo estão autorizados. Segundo o Major, a utilização se dará em último caso, apenas quando for necessário.

'As armas menos letais não são devidamente regulamentas. Existem diversos tipos de balas de borracha com diferentes potenciais de letalidade e isso precisa estar regulamentado: que tipo de bala, como ela deve ser usada, qual o treinamento específico', diz Renata.

Fonte: iG