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Publicado em 05/11/2014, às 16:57
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Motoristas e cobradores param 29 terminais em São Paulo em protesto contra insegurança e ônibus incendiados

Motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo fizeram na manhã de hoje (5) paralisação de duas horas, das 10h às 12h, para protestar contra os ataques a coletivos e a falta de segurança. De acordo com a São Paulo Transportes (SPTrans), todos os 29 terminais (28 municipais e um intermunicipal) da cidade foram fechados. No Terminal D. Pedro II, no centro da capital paulista, o sindicato da categoria fez ato para conscientizar os usuários sobre a importância de denunciar as pessoas que colocam fogo nos veículos.

Levantamento das empresas de transporte coletivo aponta que, de 1º de janeiro a 3 de novembro, ocorreram 98 ataques a ônibus, além de 21 a cooperativas que atuam na periferia de São Paulo. No ano passado ocorreram 53 ataques a ônibus. A SPTrans, por sua vez, contabiliza 119 veículos incendiados, além de 795 depredados. Em todo o ano passado, 65 ônibus foram incendiados, de acordo com o órgão.

Inicialmente, a interrupção das atividades duraria quatro horas, mas, após negociação com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o período foi reduzido. Entre os pontos acordados, segundo o Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano (Sindmotoristas), está a criação de uma comissão de trabalhadores para discutir no órgão as questões ligados ao transporte, além de uma linha direta para denúncia de ônibus incendiados pela população e de recompensa para quem denunciar os atos.

Segundo a CET (Companha de Engenharia de Tráfego), havia 93 km de lentidão no trânsito no horário da greve, equivalente a 10,7% dos 868 km monitorados. A média para o dia e o horário é de 10,3%. O trânsito também foi prejudicado pela chuva e, no início da manhã, falhas técnicas prejudicaram algumas linhas de metrô na capital.

“Todos nós estamos correndo risco de sermos incendiados dentro dos ônibus. É um trabalho de conscientização. A população deve denunciar e ser contra esse vandalismo”, disse Valdevan Noventa, presidente do sindicato. Ele disse ainda que foi escolhido o horário de entrepico para a paralisação com intuito de prejudicar o menor número de pessoas.

O promotor de vendas Júlio César Fernandes, 25 anos, chegou ao terminal às 9h40, pois já estava informado da paralisação, mas mesmo assim não conseguiu pegar o ônibus. “Eles distribuíram um panfleto. Cheguei antes, mas eles já tinham parado. Agora tenho que esperar duas horas aqui”, relatou. Ele disse que se sentiu prejudicado, mas entende a reclamação dos motoristas e cobradores. “Podiam ter deixado pelo menos 50% rodando”, sugeriu.

A paralisação surpreendeu a dona de casa Maria Xavier, 53 anos. “Não sabia disso. Tenho que voltar para casa para ficar com meu neto que chega da escola ao meio-dia”, relatou. Ela veio ao centro para pegar medicamentos para o marido em um posto de saúde e precisa retornar ao bairro São Mateus, na zona leste. “Agora vou ter de esperar voltar o ônibus e ainda vou demorar pelo menos uma hora e meia para chegar em casa”, reclamou.

O motorista Vladimir Alves de Moraes, 55 anos, está há 30 anos na profissão e conta que nunca viu algo parecido. “Parece que virou moda agora. Não tem sentido queimar ônibus para protestar. Se queimar, é um veículo a menos. O prejuízo é de todo mundo”, avaliou. Ele conta que teme pela sua vida e de colegas. “Não é só nos bairros da periferia que acontece. É em todo lugar. Já trabalhei em bairros muito perigosos. Agora estou em Pinheiros, mas lá também já aconteceu”, apontou.


Fonte: Brasil Post