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Publicado em 02/02/2015, às 14:10
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Janeiro de 2015 registra recorde de focos de queimadas detectados por satélite

 

O número de focos de queimadas de janeiro de 2015 foi o maior para o mês desde 1999, quando o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) iniciou a comparação diária do monitoramento por satélites da ocorrência de incêndios no Brasil.

Na última quinta-feira (29/1), a página do projeto de Monitoramento de Queimadas do INPEjá registrava 4.139 focos, enquanto em todo o mês de janeiro de 2014 foram 2.634 focos. O recorde anterior para o mês de janeiro foi observado em 2005, quando os satélites detectaram 4.047 focos no primeiro mês daquele ano. Para os pesquisadores do INPE, o aumento no número de focos deve servir de alerta para a sociedade. Embora o clima favoreça a propagação do fogo, a grande maioria das queimadas e incêndios florestais inicia pela ação do homem.

A relação das queimadas com a estiagem O pesquisador Antônio Nobre, do Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST), braço do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) analisou mais de 200 artigos científicos sobre a Amazônia e sua relação com o clima e as chuvas no Brasil, e concluiu que o desmatamento dessa região influencia a falta de água sentida nas regiões mais populosas do país, incluindo o Sudeste. A diminuição da quantidade de árvores no bioma impede o fluxo de umidade entre o Norte e o Sul do país, aponta o estudo divulgado no fim de 2014.

O relatório “O Futuro Climático da Amazônia”, encomendado pela Articulação Regional Amazônia, rede composta por várias associações sul-americanas, tenta explicar as possíveis causas e efeitos da bagunça climática recente e apresenta soluções que minimizariam os impactos negativos dessas alterações.

De acordo com o pesquisador, a falta de precipitação, sentida principalmente no Sudeste, em especial no estado de São Paulo, seria consequência indireta do desflorestamento amazônico. Desde o início da década de 1970 até 2013, a exploração madeireira e o desmatamento gradual retiraram do bioma 762.979 km² de floresta, área equivalente a duas Alemanhas. Os dados referem-se ao desmate total (chamado de corte raso).

A retirada da cobertura vegetal interrompe o fluxo de umidade do solo para a atmosfera. Desta forma, os “rios voadores”, nome dado a grandes nuvens de umidade, responsáveis pelas chuvas, que são transportadas pelos ventos desde a Amazônia até o Centro-Oeste, Sul e Sudeste brasileiros, não “seguem viagem”, causando a escassez hídrica.

Segundo a investigação, por dia, a Amazônia libera na atmosfera 20 trilhões de litros de água transpirada. Nobre compara a força das árvores aos gêiseres, nascentes termais que lançam periodicamente jatos de água quente para o alto. Essa transpiração, segundo o estudo, torna ainda mais valiosa a floresta (além da sua vasta biodiversidade).