As Notícias do Brasil
Publicado em 09/02/2015, às 11:52
Fonte:

Desperdício consome 10% da energia no Brasil, segundo especialistas

De toda a energia consumida no Brasil durante 2014, mais de 10% se perderam à toa, mostra levantamento da Abesco, a associação que reúne empresas de serviços de conservação do recurso. Essa conta, estima a entidade, bate em R$ 12,64 bilhões, dos quais metade corresponde a perdas geradas por consumidores residenciais e o restante se divide entre indústria, comércio, serviços e órgãos públicos.

Em parte, as perdas se devem ao fato de que, enquanto o consumo elétrico crescia nos últimos anos com o avanço da economia e mudava os hábitos domésticos, o brasileiro criava novas necessidades e desaprendia a poupar. Por isso, o racionamento que persegue os consumidores hoje chega em um cenário muito diferente daquele que os acometeu há 15 anos. O corte, desta vez, deve ser mais doloroso, segundo especialistas. E o consumidor residencial, que tem “mais gordura” para reduzir, deve ser o foco da economia.

Se, no racionamento de 2001, muitas residências tinham a opção de desligar o freezer, o vilão da vez, e substituir as velhas lâmpadas incandescentes pela tecnologia dos modelos fluorescentes, hoje as saídas são outras.

Quando o governo divulgou a MP 579, reduzindo o valor das tarifas, o consumo residencial saltou 5%. “Teve o aumento da renda, que levou as pessoas a comprar mais eletrodomésticos, TVs maiores, frigobar, ar-condicionado. Vai precisar desligar para atingir a meta. Vai ter comprometimento da qualidade de vida alcançada”, diz Ricardo Savoia, diretor da consultoria Thymos.

Das 16 maiores economias, o Brasil é o penúltimo no ranking de eficiência energética do American Council for an Energy-Efficient Economy, entidade internacional que estuda o tema.

Setor industrial

Já para a indústria, Cristopher Vlavianos, presidente da comercializadora Comerc, ressalva que a margem de corte é menor em setores eletrointensivos, como o químico e o de alumínio. Como têm na energia uma parcela alta de seus custos, eles já investiram contra o desperdício. Por outro lado, quem ainda não adotou projetos de eficiência mais complexos --como a transformação de estrutura para receber iluminação natural, instalação de geradores ou troca de maquinário-- pode encontrar gargalos de financiamento e prazo.  

Rodrigo Aguiar, presidente da Abesco, aponta ineficiência em sistemas de iluminação pública e no condicionamento de ar de hotéis, shoppings e comércio, além dos equipamentos obsoletos em indústrias de menor porte.

“De todo o consumo industrial, 60% estão em motores, e 20% deles têm mais de 25 anos --ou seja, consomem mais de 40% de energia que o motor de alto rendimento novo. Afeta a produtividade e a competitividade no país.”

Ao consumidor residencial, diz Soares, resta evitar dormir com a TV ligada, reduzir o ar-condicionado, procurar ventilação e iluminação natural, limpar filtros de máquinas de lavar e usar lâmpadas fluorescentes.

NÚMEROS

15ª

é a posição do Brasil, entre 16 países. no ranking de eficiência energética

12,6

bilhões de reais é o prejuízo estimado à economia com os desperdícios