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Publicado em 22/07/2015, às 17:04
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Depressão atinge cada vez mais crianças no Brasil

Esta é a primeira de uma série de matérias sobre o assunto e aborda a questão de uma forma mais geral. Outros pontos de vista e abordagens serão publicados nas próximas edições.
 
Um dos distúrbios que mais provoca discussões no meio científico, a depressão também pode ser observada em crianças. Conhecida por 'mal do século XXI', o estado anormal de comportamento e a perda do interesse em atividades cotidianas podem ser sentidos na fase infantil. Porém, os sintomas podem ser diferentes da depressão apresentada por adultos, fato que em muito dificultou o reconhecimento do mal nessa fase.
 
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o transtorno já é apontado como principal causa na incapacidade de conclusão de tarefas rotineiras entre crianças e jovens de 10 a 19 anos.
 
 
'A criança que sofre de depressão pode se apresentar mais irritada, mais agitada, inquieta ou irrequieta do habitual. Ela também pode se desinteressar pelas atividades da escola ou de lazer, parecer cansada o tempo todo e, algumas vezes, apresentar perda de sono e alterações de apetite. Estes são sintomas comuns em crianças deprimidas e bastante diferentes dos apresentados pelos adultos', explica a Dra. Anne Maia, psiquiatra e professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
 
Ela explica que nem sempre o quadro de depressão infantil tem relação com algum episódio estressor, mas pode acontecer sem que haja algo pontual. 'É importante comentar que a depressão é multifatorial. Por isso, nem sempre é possível identificar um ponto de início do distúrbio. A 'tendência a deprimir' também pode ser um traço herdado', diz.
 
Para o diagnóstico é fundamental que os pais, professores e parentes mais próximos a criança observem qualquer comportamento incomum, além do desinteresse por atividades de lazer e a falta de reação frente a uma situação em que é contrariada. Assim como outros distúrbios nessa fase, é importante que haja uma detecção precoce para evitar possíveis complicações.
 
'As abordagens terapêuticas para a criança deprimida devem ser as mais amplas possíveis. Com o avanço nas formulações dos antidepressivos (com menos efeitos colaterais e mais seguros), hoje o tratamento da depressão infantil já é realizado com psicoterapia e psicofarmacoterapia. Conjugadas, essas medidas comprovadamente auxiliam na melhora dos sintomas e do desempenho escolar', afirma.
 
Além do tratamento medicamentoso, a Dra. Anne acrescenta que o suporte familiar é indispensável na recuperação da criança. Segundo ela, esse apoio e orientação também são medidas de prevenção para eventuais recaídas ou continuidade do problema na fase adulta.