As Notícias do Brasil
Publicado em 09/10/2015, às 15:39
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Consumismo infantil

O poder das marcas diante da fragilidade psicológica dos pequenos

 

Pesquisa recente do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) apurou que 60% das mães cedem ao apelo dos filhos na hora das compras. Para a diretora do Instituto Alana e coordenadora do Projeto Criança e Consumo, Isabella Henriques, “as empresas sabem da hipervulnerabilidade da criança enquanto pessoa ainda em formação e de seu poder de influência, e utilizam desse conhecimento para aumentar suas vendas”.

 

As crianças são atraídas pelo universo lúdico dos esquetes comerciais, que estimula sua consciência imaginativa e as faz crer em informações nem sempre verdadeiras. Dados da pesquisa Targeting Children With Treats, de 2013, indicaram que crianças com sobrepeso aumentaram em 134% o consumo de alimentos com altos teores de sódio, gorduras e açúcar, quando expostas à publicidade desses produtos. 

 

Em setembro deste ano, a Bayer foi autuada por veicular conteúdo publicitário inadequado quanto ao consumo de um suplemento alimentar de vitamina C em forma de balas de goma. Além da peça publicitária induzir a criança a crer que quem toma o suplemento não fica resfriado, a embalagem do produto discriminava o vitamínico apenas como alimento, não como remédio.

 

Há outras consequências relacionadas aos excessos do consumismo infantil: erotização precoce, consumo precoce de tabaco e álcool, bem como a banalização da agressividade. Diante de tais implicações, denota-se o consumismo infantil como uma questão urgente e que torna ainda mais obscuros os rumos do planeta em termos de consciência socioambiental.

 

Por Jéssica Albuquerque para EAB