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10.10.2018
Brasil

Biotecnologia brasileira: visibilidade internacional mostra impacto da nossa ciência nos alimentos

A prestigiosa revista Wired —considerada a bíblia da tecnologia no Ocidente— trouxe como matéria de capa na última edição um longo artigo sobre biotecnologia no cultivo de alimentos. Trata-se da técnica de edição genética chamada Crispr, a qual modifica o DNA no cultivo de tomates. Apesar de a matéria destacar o trabalho de cientistas americanos, os verdadeiros heróis do texto estão no Brasil: o botânico Lazaro Peres, da USP, e o geneticista Agustin Zsögön, da Universidade Federal de Viçosa.

O próprio texto diz que o trabalho da dupla brasileira “leva o processo da edição dos tomates a um nível completamente novo”. Em um trabalho conjunto, eles conseguiram fazer a engenharia reversa da evolução do tomate, conseguindo eliminar da planta todas as mudanças genéticas ocorridas por seleção natural ou humana. Ao fazer isso, conseguiram reiniciar o processo evolutivo da planta a partir do zero, batizado de “redomesticação”.

No Brasil, Peres menciona que está trabalhando para redomesticar um tomate selvagem das Ilhas Galápagos, capaz de tolerar climas extremos e longos períodos de seca. Isso pode ampliar a segurança alimentar em um mundo que enfrenta o aquecimento global. O mais interessante é que com a técnica Crispr, o alimento não passa a ser considerado um “transgênico”, uma vez que ela apenas suprime os genes, sem adicionar nada de novo.

A visibilidade internacional do trabalho de Peres e Zsögön em uma das principais revistas do planeta mostra que a ciência brasileira pode ter impacto global. É um fato importante para nos lembrar que outro Brasil é possível.