As Notícias do Brasil
Publicado em 09/09/2014, às 09:10
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A educação no combate à pobreza

Na última semana, o Banco Mundial indicou que o percentual de brasileiros abaixo da linha da pobreza caiu de 35%, em 1999, para 17%, em 2011. Além disso, segundo os dados, a parcela da população em situação extrema também reduziu: de 7% para 2%. Ótimo, até certo ponto.

Para o Banco Mundial, esse desempenho foi possível graças ao crescimento econômico, o aumento do emprego e da renda e da expansão de programas sociais. O Brasil foi um dos poucos países do mundo, na primeira década do século 21, a conseguir crescer economicamente reduzindo pobreza e desigualdade.

Pelo novo critério do Banco Mundial, a proporção de brasileiros localizados na pobreza extrema teve uma redução de quase 80% no período analisado. Esse grupo é caracterizado, entre outros itens, pelo que os pesquisadores consideraram pobres pelo critério de renda, vivendo com menos de R$ 70 mensais por integrante da família.

O que surpreende é o valor estipulado como ‘limite da extrema pobreza’: 70 reais mensais. Dois reais e trinta centavos por dia. (Não) por acaso, esse limite foi estipulado pelo governo federal em 2011.

Reflita: pouco mais de dois reais por dia é suficiente para um cidadão ao menos se alimentar? Sem colocar em questão as demais necessidades que todos têm.

Num país em que o salário mínimo é incompatível ao custo de vida, muitas vezes nem mesmo o trabalhador com carteira assinada consegue suprir as necessidades da família. O que dizer então daqueles que conseguem 70, 80, ou cem reais mensais no trabalho informal?

Ainda de acordo com o Banco Mundial, “uma sociedade nunca conseguirá eliminar totalmente os pobres” – fato – “mas deve perseguir o objetivo de eliminar a pobreza crônica”. Para os economistas da instituição, o principal instrumento para eliminar a pobreza crônica é a educação. Aliás, ela seria um excelente antídoto contra muitas outras doenças sociais.

O Brasil já conseguiu melhorar a escolaridade, mas é preciso melhorar toda a estrutura e cultura do ensino brasileiro. E isso é muito mais difícil.
Nós ocupamos o 53º lugar em educação, entre 65 países avaliados pelo Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), em 2012.

O analfabetismo funcional de pessoas entre 15 e 49 anos foi registrado em 20% no ano de 2011, de acordo com o Inaf (Indicador de Analfabetismo Funcional); 34% dos alunos que chegam ao 5º ano de escolarização ainda não conseguem ler e 20% dos jovens que concluem o ensino fundamental, e que moram nas grandes cidades, não dominam a leitura e escrita, de acordo com o movimento Todos pela Educação. Sem falar na desvalorização dos profissionais de educação e dos infinitos problemas de infraestrutura.

É bom lembrar que a educação é responsabilidade dos governos federal, estaduais e municipais. Temos que cobrar os governantes e lutar por melhorias no nosso ensino.

Se o Brasil deseja crescer, tem que investir – pesado – em educação. A educação é o principal caminho para um futuro melhor.