As Notícias do Brasil
Publicado em 05/08/2015, às 16:42
Fonte: Fundação Oswaldo Cruz, Ministério da Saúde, Câmara dos Deputados.

5 de Agosto: Dia Nacional da Saúde; população ainda sofre com problemas

No dia 5 de Agosto, o Brasil celebra o Dia Nacional da Saúde. Foi escolhida essa data em homenagem ao médico Oswaldo Cruz, que nasceu em 5 de agosto de 1872.
 
Oswaldo Cruz ingressou na faculdade de medicina aos 15 anos, e quatros mais tarde, especializou-se em bacteriologia pelo Instituto Pasteur de Paris. Em 1903, foi nomeado Diretor-Geral de Saúde Pública, cargo equivalente a Ministro da Saúde. Durante o período que atuou na saúde pública, Oswaldo Cruz lutou contra a febre amarela, a peste bubônica e a varíola.
 
Sua gestão ficou conhecida por conta da Revolta da Vacina, ocorrida em 1904. A população manifestou-se contra a obrigatoriedade da vacina antivaríola, porém quatro anos depois devido à epidemia da doença, o povo foi em peso aos postos de saúde e reconheceu o valor do médico.
 
Saúde pública no Brasil ainda sofre com recursos insuficientes
 
Em um levantamento do Ministério da Saúde para atestar a qualidade do Sistema Único de Saúde (SUS), a média nacional ficou em 5,5, em uma escala de 0 a 10.
 
O sistema de saúde pública que tem a pretensão de atender a todos os brasileiros, sem distinção, apresenta falhas em seus principais programas. Um exemplo é o Saúde da Família, que tem o objetivo de atuar na prevenção de doenças, alterando um modelo de saúde centrado nos hospitais.
 
 
Em 20 anos, no entanto, nenhum estado alcançou cobertura completa. Apenas dois ultrapassaram os 90% de cobertura: Piauí e Paraíba. Na outra ponta, sete estados têm atendimento abaixo da metade: Amazonas, Rio de Janeiro, Paraná, Roraima, Rio Grande do Sul, São Paulo e Distrito Federal, com 20%.
 
A consequência dessa e de outras falhas são hospitais lotados. Dados do Tribunal de Contas da União (TCU) indicam que 64% dos hospitais estão sempre com superlotação. Apenas 6% nunca estão cheios.
 
Outro problema nacional é a mão de obra. Não só faltam médicos no interior, mas também estrutura para o atendimento e oportunidades para a capacitação dos profissionais. A formação dos médicos também é questionada.
 
Financiamento 
O financiamento do SUS é um dos problemas a serem resolvidos. Apesar da promessa de atender a todos, o Brasil é um dos países que menos investe em saúde: menos de 490 dólares por habitante em 2012.
 
Referências como o Canadá ou a Inglaterra investiram, respectivamente, mais de 4 mil dólares e mais de 3 mil dólares por habitante no ano. Entre os países da América do Sul, a Argentina investe quase 700 dólares por pessoa e o Chile, quase 550.
 
Em 2000, a Emenda Constitucional 29 determinou que os municípios investissem em saúde pelo menos 15% do que arrecadam, e os estados, 12%. Já o governo federal deve investir, pelo menos, o mesmo valor do ano anterior reajustado pela inflação. Apesar de garantir investimentos mínimos, a regra não estimula o governo federal a fazer muito mais do que isso. Para especialistas, no entanto, o problema da saúde no Brasil não é apenas de financiamento, mas também de gestão dos recursos. “Não há gestão qualificada. Há fraude, há corrupção. Isso precisa ser resolvido e se resolve com um gerenciamento competente e também com um financiamento adequado”, defende o médico Roberto Luiz d’Ávila, ex-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), em entrevista para o site da Câmara dos Deputados.